Amanhã, deixo a região sul do país. Referência de vida, costumes, geografias e identidades. Algo conhecido fica para trás. Até agora sinto que foi tudo um preparativo, um ensaio (como se a vida permitisse isso). Primeiros dias vivendo na kombi. Uma tal solidão, composta por sons diferentes e pelas estranhezas da estrada. Cotidiano vivido na disciplina do mínimo espaço.

Trouxe poucos livros, mas conto com um oceano de encontros e percepções. Sotaques mil, coleção de entardeceres, noites com música, noites de vazio, muita chuva, muito sol.

Viver não é mil maravilhas e o caminhante sabe disso – segue-se – Uma alegria, que sempre compensa, mora nas cordas do meu violão; aliás, ele coube em um cantinho da kombi. Viaja comigo e canta em improviso os versos de Torga:

E arrepelo a cítara divina.
Agora ou nunca – meu refrão antigo.
O destino destina,
mas o resto é comigo.

Sigo para Minas. Primeira parada na região de Botelhos, onde farei as primeiras gravações de Andarengo com benzedeiras da região. Depois, adentramos o sertão direito as cachaças, violas e a terra de Riobaldo.

Aprendendo pelo trajeto, sigo alegre.

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