Na ausência de saber cabe um julgamento, um preconceito.

Saber não é e nunca foi o acúmulo de informações. Sejam essas de origem literária, oral ou midiática. Saber é a vivência de mundo que repousa no corpo – veja que essa vivência pode, ironicamente, ser de origem literária, oral ou midiática, além de poder ser tudo o mais. Arriba da razão ou da intelectualidade, me interessa esse olhar quase primitivo, repleto de escuta que diz, em tom claro, que tudo é vivência para os olham que enxergam.

Para este vivente, Andarengo é uma aula. Viajar, caminhar e testemunhar é uma jornada de aprendizado. Uma aula que transcende a pedagogia tradicional ou o que comumente entendemos como aprender.

Aqui, o mestre, o professor, o mentor é o fundão do Brasil, sua gente e seus torrões de terra. Este mestre, tal qual os antigos sábios na doutrinação de seus discípulos, trata de romper, à força por vezes, os conceitos já dorminhocos no meu corpo. Aqueles conceitos aprendidos nas frequências da TV, aqueles saberes do “ouvi falar”, aquelas verdades definitivas que repito sem nunca me dar conta das suas origens. Caminhar para ver o mundo é o unguento para a cura da visão maniqueísta, binária e cheia fronteiras (físicas ou imaginárias). Uma testemunha de olhos limpos, confrontando um passado vigente e um futuro em aberto. Um aboiador do destino que costura caminhos e aprende com a paisagem e com o sotaque que se escuta longe. O desmanche do preconceito. O rasgo na cortina ilusória das divisas e das hierarquias histórico-geográficas.

Vivência do diferente. Diferente que assusta e acolhe no tempo e espaço. Ouvir, ouvir e ouvir. Anotar, fotografar, filmar, gravar. Olhar, olhar e olhar. Aprender no pêlo do tempo a odisséia sagrada/profana da sobrevivência da nossa espécie. A aventura do bicho Homem.

 

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